24: Ah, trocaria...
Sábado, Dezembro 03, 2005
Voltando do Recife à Asa Norte, dia desses, carregando uma mala um tanto pesada quando sai do aeroporto, acabei tendo de pegar um táxi. O carro era bem mais ou menos, e o tiozinho, nada muito simpático. Mas sem problemas. O clima tava bem normal - e, daí, é claro que neem o velho comentário universal sobre o tempo o tiozinho fez -, e o ar-condicionado que não existia não fez falta alguma. Durante a corrida toda, fiquei calado, na minha, pensando em tudo que deixei pra trás - e eu num tô falando dos amigos; mas de cuecas, livros e etc. Fiquei quieto, quieto mermo, até que eu vi o preço da corrida: Ei, vei, bandeira dois, mermão!? - e, pra variar, o carequinha ficou calado. De repente, lá tira ele uma cópia dum decreto que autoriza todos os taxistas a cobrarem tarifadois no mês de dezembro - e continua quieto, é lógico, procurando radares pra evitar multa. Li o papel e tentei, esperançoso por poder reclamar, lembrar a data do tal dia. Consegui: primeiro de dezembro, início exato da tal autorização. Ótimo. Fa-z-o-quê? O carro virou o lugar mágico em que meu dinheiro, como que por milagre, ia todo embora e virava o decimoterceiro do carinha. Deixei pra lá, afinal, era um tanto justo até. Nessa época do ano, em que todos celebram a ressurreição e compram televisões pra ficar mais perto de Deus, quem num ganha um pouco a mais? Todos ganham; até eu ganho. Mas eu juro que, ainda assim, queria meu dinheiro de volta. Queria minha viagem de volta. De volta pra Recife. Trocaria tudo por piadas idiotas, música, praia e cerveja. Trocaria tudo por boa companhia dos bons amigos. Trocaria tudo por uma menina. Ah! Aquela menina... Belo cabelo, bonitos olhos. Par de belos seios. Trocaria tudo por aquela bunda. Trocaria tudo por aquela b......ela garota. E aí, Papai Noel?
E, ah, num esquece da minha aprovação no vestibular, camarada.
Voltando do Recife à Asa Norte, dia desses, carregando uma mala um tanto pesada quando sai do aeroporto, acabei tendo de pegar um táxi. O carro era bem mais ou menos, e o tiozinho, nada muito simpático. Mas sem problemas. O clima tava bem normal - e, daí, é claro que neem o velho comentário universal sobre o tempo o tiozinho fez -, e o ar-condicionado que não existia não fez falta alguma. Durante a corrida toda, fiquei calado, na minha, pensando em tudo que deixei pra trás - e eu num tô falando dos amigos; mas de cuecas, livros e etc. Fiquei quieto, quieto mermo, até que eu vi o preço da corrida: Ei, vei, bandeira dois, mermão!? - e, pra variar, o carequinha ficou calado. De repente, lá tira ele uma cópia dum decreto que autoriza todos os taxistas a cobrarem tarifadois no mês de dezembro - e continua quieto, é lógico, procurando radares pra evitar multa. Li o papel e tentei, esperançoso por poder reclamar, lembrar a data do tal dia. Consegui: primeiro de dezembro, início exato da tal autorização. Ótimo. Fa-z-o-quê? O carro virou o lugar mágico em que meu dinheiro, como que por milagre, ia todo embora e virava o decimoterceiro do carinha. Deixei pra lá, afinal, era um tanto justo até. Nessa época do ano, em que todos celebram a ressurreição e compram televisões pra ficar mais perto de Deus, quem num ganha um pouco a mais? Todos ganham; até eu ganho. Mas eu juro que, ainda assim, queria meu dinheiro de volta. Queria minha viagem de volta. De volta pra Recife. Trocaria tudo por piadas idiotas, música, praia e cerveja. Trocaria tudo por boa companhia dos bons amigos. Trocaria tudo por uma menina. Ah! Aquela menina... Belo cabelo, bonitos olhos. Par de belos seios. Trocaria tudo por aquela bunda. Trocaria tudo por aquela b......ela garota. E aí, Papai Noel?
E, ah, num esquece da minha aprovação no vestibular, camarada.
Rodolpho de Siqueira
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