terça-feira, 8 de julho de 2014



33: A dança do tôsózinho

Sexta-feira, Novembro 17, 2006 

A gente não presta. Num presta mermo - e antes fosse só isso. O negócio é que a gente num presta e quer que os outros prestem pela gente. Seguimos a vida buscando a perfeição dos que nos cercam e tratam bem, e, em recompensa, torcemos por eles. Torcemos pra que eles sejam cada vez melhores pra nós. Cada vez mais bonitos, capazes e motivos de orgulho. Passamos a vida querendo a mulher perfeita, enquanto engordamos por debaixo dos panos, mostrando a saliência do egoísmo e reclamando do estar só. Duma solidão que só passa quando nos contentamos com alguém normal e com ela temos um filho. Para, aí sim, pormos em suas costas o peso de ser tudo que a gente não foi - inclusive marido de uma mulher perfeita. Já que, pra encontrar, no outro, a perfeição, há sempre a esperança. O símbolo da idealização, aquela que a gente mermo nunca alcança. E assim segue, até que a gente aprende e muda. Pois, se não houver mudança, vai pela vida inteira com os corações naquela dança. A velha cardidança da cadeira, em que nunca há lugar pra nossa bunda.


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Morar sozinho é meio embaçado. E cozinhar pra comer sozinho é ainda mais. Tu faz uma coisa, outra, tal, e esgota-se o vasto caderno de receitas de duuuas páginas. Daí tu enjôa de quase tudo que sabe fazer e te dá náuseas de pensar em gastar dinheiro todo dia pra comer fora.
Por isso é que eu acho que deveriam investigar o pão. É: aquela velha massa que a gente come tanto. Pensa bem: a humanidade, em todos os cantos, come esse treco há milênios e ninguém se cansa dele. Muito estranho. Mais suspeito que o puto do saci que - ainda! - cola meu arroz.
 

Rodolpho de Siqueira

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