3: Morte marketeira
arquivo de 2005_04_01
Nos últimos dias, ouviu-se falar muito em Papa - seja o morto, ou o
novo. Especialmente sobre o morto, a quantidade de comentários, há uma
semana mais ou menos, aumentou demais. Tá bem... ele é -ou foi- o Papa,
mas é impressionante como, toda vez que alguém morre, fica muito mais
especial. No caso dele, que era santidade, agora virou santo, quase que
literalmente. Em outros casos, não chega a tanto, mas não há celebridade que escape da super-valorização do passe
depois que morre. O problema é que, com isso, sempre surge também uma
moda póstuma. Quer ver? O Che Guevara, coitado(!), virou estampa em
camisa fashion. Bob Marley, lá do além, viu-se seguido por um exército
de gente que jura que ele fazia apologia à erva - mas mal sabem eles que
ela só aparece em uma música. Aqui no Brasil, pra ficar mais perto,
foram muitos os que mereciam reconhecimento em vida, mas só o tiveram
-seja ele por moda ou não- depois da jogada de marketing involuntário
que a morte os deu - Chico Science, Cássia Eller, Sabotage, Renato Russo
e cia. são só alguns deles. Aqui as pessoas têm fascínio pela morte
-ainda que seja alheia, é claro. Ao que parece, se vinho fica melhor
depois de velho, humano fica melhor depois de morto.
Salve, sim, os arquitetos da música e de toda a cultura brasileira! Mas eles não precisam, necessariamente, estar mortos.
Té.
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