terça-feira, 8 de julho de 2014



59: Caminho mais curto

Sexta-feira, Fevereiro 19, 2010 

Eu sempre acreditei em lutar pelo que a gente acredita, mas de vez em quando eu tenho minhas recaídas. Hoje, por exemplo, eu tive uma delas. Eu sempre acreditei que pra ir ao meu trabalho tem um caminho mais curto e rápido, e por um tempo insisti em seguir por ele. Acontece que ali tem um puto de um quero-quero que acredita que ali é um caminho mais curto, mais rápido e melhor pra ele criar os filhotes dele ou qualquer coisa parecida. Eu insisti umas vezes, e toda vez o bicho ameaçava, gritava, fazia o diabo. Daí foi numa dessas que eu pensei bem e resolvi ser corajoso: tomei coragem pra enfrentar a fera da minha preguiça gigante e fui pelo outro lado – mais longo e mais seguro; ótimo! Toma teu caminho, quero-quero de merda!

Ultimamente tenho feito as contas e decidido não decidir muito ao meu jeito as coisas, caso aconteça algo assim pra atrapalhar. Esse negócio de saber o que quer e lutar por aquilo é bom, mas só às vezes, como todos os outros bons e todas as vezes que eu já falei deles. Tenho visto seriamente o lado bom de não poder escolher ou de deixar outra coisa escolher por mim. Não é nada tão louco, não, e eu até demonstro: se vô pegar um filme e fico na dúvida entre dois, fico doido pro carinha do balcão dizer que um deles foi perdido ou algo assim. Muito bom, muito bom; dá o outro então! Não podia ser tudo assim tão fácil? Num sei porque tudo que é coisa sempre teima em ter lados bons e ruins, bicho. Num escapa nem a porra do caminho cheio de mato lá do trabalho!

Agora eu tô deixando o acaso decidir, quando consigo. Ou então deixo que os outros decidam por mim mermo. Agora já quase não discuto as coisas; pelo menos não como antes, e não mermo. Se tu é daqueles que gosta de discutir, perdeu os bons tempos! Agora se eu encontrar uma tiazinha testemunha de Jeová por aí, querendo me converter, ela não consegue nem a pau. Não consegue, porque eu digo que sou o próprio Javé, se ela quiser - mas só se ela quiser! Se ela for ficar com raiva eu digo só que era amigo dele, e todo o mundo fica feliz.

Acho que eu não costumava ser assim pelo quê de falsidade ou omissão que me vinha à cabeça. Mas o negócio é que às vezes nem vale a pena, e é melhor seguir o caminho de menor esforço – em vez do mais curto! A Natureza parece fazer isso às vezes, e mermo assim ela é gente boa pra cacete – com exceção do quero-quero! Vô fazer também então, pelo menos às vezes. E depois de ter sido amigo de Jeová o resto vai ser moleza.

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Coldplay, me espera que eu tô chegando no Rio.

Rodolpho de Siqueira

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