terça-feira, 8 de julho de 2014



26: Coisa e tal(vezes)

Sábado, Janeiro 21, 2006

E não é que ele lembrou? O Bem Velhinho, apesar do nome sugestivo, tem boa memória e atendeu meu pedido: colegial agora é só na lembrança. Mas, junto com o gorrinho vermelho, outro cara lembrou de mim: o Mala. O Mala é o amigo da Morte; é o outro ajudante do Tempo. Só que ele trabalha muito mais que a Caveira e é muito mais esperto que o Velhinho: escolheu dividir o trabalho por vários dias do ano, e não fazer tudo duma vez, num dia. Todo nono de janeiro, ele lembra de mim - é um amigão da porra. É a ele que devo todos os anos que hoje carrego nos ombros. E assim ele tem me dado, também, mais espinhas e um nariz maior. Ótimos presentes. Deu pra ver o bom gosto? Mas é também graças a ele e a seus l o n g o s anos que eu aprendi muita coisa. Aprendi sobre orações subordinadas heterozigóticas, matrizes inerciais da quarta lei de Newton e a globalização da tribo mais perto da minha casa. Talvez, não fosse o Mala, a engenharia ainda só uma vontade seria. Só uma vontade praquele que sempre gostou da ciência exata...mente diferente da vida tão imprevisível. Talvez, não fosse o Mala e seus presentes, eu não teria aprendido tudo disso. Mas também talvez, não tivesse dormido aquelas aulas e desenhado em outras tantas, não teria eu deixado de aprender o que são limites e fronteiras, nem esquecido que não existe algo como o neonomadismo.

Próxima parada: alguém se atreve a me dizer? Eu, não.
 
Rodolpho de Siqueira

Nenhum comentário: