26: Coisa e tal(vezes)
Sábado, Janeiro 21, 2006
E não é que ele lembrou? O Bem Velhinho, apesar do nome sugestivo,
tem boa memória e atendeu meu pedido: colegial agora é só na lembrança.
Mas, junto com o gorrinho vermelho, outro cara lembrou de mim: o Mala. O
Mala é o amigo da Morte; é o outro ajudante do Tempo. Só que ele
trabalha muito mais que a Caveira e é muito mais esperto que o Velhinho:
escolheu dividir o trabalho por vários dias do ano, e não fazer tudo
duma vez, num dia. Todo nono de janeiro, ele lembra de mim - é um amigão
da porra. É a ele que devo todos os anos que hoje carrego nos ombros. E
assim ele tem me dado, também, mais espinhas e um nariz maior. Ótimos
presentes. Deu pra ver o bom gosto? Mas é também graças a ele e a seus l
o n g o s anos que eu aprendi muita coisa. Aprendi sobre
orações subordinadas heterozigóticas, matrizes inerciais da quarta lei
de Newton e a globalização da tribo mais perto da minha casa. Talvez,
não fosse o Mala, a engenharia ainda só uma vontade seria. Só uma
vontade praquele que sempre gostou da ciência exata...mente diferente da
vida tão imprevisível. Talvez, não fosse o Mala e seus presentes, eu
não teria aprendido tudo disso. Mas também talvez, não tivesse dormido
aquelas aulas e desenhado em outras tantas, não teria eu deixado de
aprender o que são limites e fronteiras, nem esquecido que não existe
algo como o neonomadismo.
Próxima parada: alguém se atreve a me dizer? Eu, não.
Próxima parada: alguém se atreve a me dizer? Eu, não.
Rodolpho de Siqueira
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