terça-feira, 8 de julho de 2014



58: Dirigindo com o alter-ego

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010 

Uma vez na casa da minha tia eu pensei, ao ver uma pasta-de-dentes em cima da geladeira: " Bicho, isso é lugar de pasta? ". Depois, o grande otário – eu, no caso – lembrou que ele mermo tinha deixado a tal da pasta por ali. Parece mentira - e eu tendo um nariz deste tamanho... bem, tu acredita se quiser. Uma outra vez, nessa merma casa dessa merma tia, eu vim correndo atender o telefone e quase bato com o nariz na porta do armário, que ' tava aberta. Mas foi só quase: sorte delas - da porta e da tia, que ia perder a porta. E agora tu vê: fui fazer um favor, já que ninguém atendia o telefone, e ainda quase me machuco. Um absurdo; não é foda? Só não fiquei com mais raiva porque tinha sido eu o culpado de novo. Idiota. Um idiota, mas me deixa aqui ser honesto com relação às minhas idiotices: coitada da minha tia!

Umas outras vezes, vendo o trânsito dos carros, eu tive a ligeira impressão de que as pessoas certamente reclamariam delas próprias, caso tivessem a fantástica oportunidade de dirigir atrás delas próprias. Imagina a cena. Me parece que ninguém dirige como acha que os outros deveriam dirigir; a gente só não percebe. E o que me parece, aliás, é que ninguém age como acha que os outros deveriam agir; a gente só não quer perceber.

Umas muitas vezes eu me levantei da minha cadeira, fui à frente da sala receber a nota de mim mermo e constatei: "Tá precisando melhorar, hein, seu Rodolpho. "
Daí eu deixei de ser idiota por uns instantes, saí da sala e tive a ligeira certeza de que seria mais brando com os outros com relação a essas exigências. Concluí que não há nada mais justo, afinal, pelo menos até que eu mermo atenda à maioria delas.

E quando eu conseguir atendê-las, não exigindo muito de ninguém, espero não exigir dos outros a merma atitude em troca, também. Quer contradição e idiotice maior que essa? Não dá, não, rapá; e eu aposto até que não tem.


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Uma das coisas que eu espero de mim diariamente é conseguir dormir cedo. Grande ilusão; por que é que não desisti ainda? Só sei que, por enquanto, me perdôo: foi agora, com medo de dormir, que tomei coragem pra escrever. Vale a pena, e acontece de vez em quando.

Rodolpho de Siqueira

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