Terça-feira, Março 10, 2009
Se ainda não disse aqui – e acho que não -, digo pela primeira vez que tenho um irmão de oito anos e muito do esperto. Uma vez ele, ouvindo “Malandragem”, olhou pra mim e começou o diálogo:
_Pô, que mentira...
_O que foi, João?
_A música aí... disse que era poeta, mas não sabia amar, que é uma coisa tão fácil. Mó mentira, né?
Eu sorri. Tentei explicar pra ele alguma coisa do que eu achava da letra, me achando o verdadeiro 'malandro' da situação. Só depois, sem perguntar, acabei por descobri que ele, já naquela época, gostava de uma menina do colégio. Amar pra ele, então, parecia fácil. Foi a primeira vez que ele me pregou uma peça.
Da última vez que viajei pra visitar minha família, claro que o vi de novo. Dessa vez, tentei aproveitar o pouco tempo para ensinar a ele – que andava meio gordinho – como era fácil andar de bicicleta. Começamos, com a presença de um amigo, e ele não conseguia. Eu tentava ensinar, dizia, mostrava, mas não dava jeito. O amigo dele, então, resolveu intervir:
_João, faz um esforço, cara. É só pedalar... Seu irmão já tá ficando meio nervoso.
Ele tinha razão: eu 'tava. 'Tava até João responder:
_Pô, se ele ficar nervoso por causa disso...
Foi a segunda vez que ele me pregou uma peça. Só faltou me dizer que era mó mentira alguém conseguir ensiná-lo a matemática, a jogar xadrez, a andar de bicicleta, mas ficar nervoso por uma besteira daquela. “Eu ando de bicicleta, mas sô um mané nervoso...”. A gente cresce e aprende a ser besta. Foi assim que eu aprendi.
Aquele dia era meu aniversário e tal. Foi, com certeza, um ótimo presente - e presente-surpresa. No dia seguinte ele acabou aprendendo, rápido como de costume, com um professor que já não se irritava como antes. E no dia de hoje eu acho que os 80 anos que ainda vô viver vão ser pouco pra tudo que eu ainda quero e preciso aprender.
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Há dois meses e alguma coisa é que fiz essa viagem e desde então tenho guardado, escrito na cabeça, o que escrevi agora. É um dos meus (maus) hábitos escrever e não pôr no papel; hábito muito ruim. Mas antes eu ainda conseguia, pelo menos, registrar aqui, no computador. O problema é que ultimamente não tenho feito nem isso – e quem lê isso aqui sabe. Então, agora que consegui, aproveitei o embalo e escrevi d'uma vez. Foi rápido, mas saiu. E eu sô coruja, sim.
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Extra! Extra! Aproveite a oportunidade e junte-se ao movimento dos semoportuguesdesempre. Se tu acha que essa reforma empobrece a língua e é meio inútil, porque a mudança da língua mostra a diversidade das culturas e é inevitável até de uma cidade pra outra, aqui é teu lugar! Aqui o quilombo ainda é d'idéia, com acento e tudo.
Rodolpho de Siqueira
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