38: Sem título
Sábado, Agosto 04, 2007
Quem leu isso aqui mais de uma vez sabe que eu sô um chato considerável. Eu vivo por aí pensando sobre o que me incomoda e não perco a oportunidade de cuspir minha opinião. Não tem jeito. De tanto ver o quanto de ruim tem por aí afora e aqui por dentro de mim, acabo tendo que expressar alguma coisa. Quem sabe melhora. Mas isso acontecendo, todo dia e tantas vezes, acaba me estressando e levando um pouco da esperança. Num país em que a polícia prende e a justiça solta, fico pensando se esperto mermo – mais que eu, o marsupial e o semqueixo juntos – não é quem simplesmente finge que nada acontece. Fico doido pra ter a habilidade de, entre tantos furacões e navalhas, me desviar como um ninja e manter o corpo intocado. Ou quem sabe ter a malandragem do espertalhão pra roubar a venda de Têmis , não enxergar mais nada que eu faço de errado e ainda sair assoviando.
Às vezes quero, na ginga do batidão do momento, esquivar do avião que bate e já lhe dar as costas no minuto seguinte, olhando pra trás e ainda balançando a bundinha. Decido que, entre o amor fati verdadeiro e o conformismo cúmplice, quero mais é ser um zengoísta. Quero elevar o espírito não seguindo o grande Buda, não; mas subindo ao plano mais elevado, onde tudo pode acontecer enquanto o eu permanece inabalável... Mas aí eu desisto, o limbo me chama de volta e eu continuo sendo chato. Não tem jeito.
* * * * * * *
Eu tô ficando velho. Não é pelo rosto abatido pelo sono, nem pelas olheiras que percebo. Mas sei que tô ficando velho. Não é pela mudança de certos gostos, nem pelos tons de conversa. É por já não achar mais tão ruim sentar aos domingos com o jornal no colo. É por já não sentir mais vergonha de assistir desenho de criança, mermo tendo mais que 12 anos. Não é por preferir o boteco àquelas festas que eu achava o máximo. É por assistir o Pan, vendo as notas altas das ginastas, sem esquecer das notas frias do Calheiros. Não é pela barba rala nem pelas duas décadas. É porque, como diria meu amigo García, um homem sabe que tá ficando velho quando se vê parecido com seu pai. É por achar que já é hora de fazer alguma coisa e essa coisa não é só escrever em um blog.
Quem leu isso aqui mais de uma vez sabe que eu sô um chato considerável. Eu vivo por aí pensando sobre o que me incomoda e não perco a oportunidade de cuspir minha opinião. Não tem jeito. De tanto ver o quanto de ruim tem por aí afora e aqui por dentro de mim, acabo tendo que expressar alguma coisa. Quem sabe melhora. Mas isso acontecendo, todo dia e tantas vezes, acaba me estressando e levando um pouco da esperança. Num país em que a polícia prende e a justiça solta, fico pensando se esperto mermo – mais que eu, o marsupial e o semqueixo juntos – não é quem simplesmente finge que nada acontece. Fico doido pra ter a habilidade de, entre tantos furacões e navalhas, me desviar como um ninja e manter o corpo intocado. Ou quem sabe ter a malandragem do espertalhão pra roubar a venda de Têmis , não enxergar mais nada que eu faço de errado e ainda sair assoviando.
Às vezes quero, na ginga do batidão do momento, esquivar do avião que bate e já lhe dar as costas no minuto seguinte, olhando pra trás e ainda balançando a bundinha. Decido que, entre o amor fati verdadeiro e o conformismo cúmplice, quero mais é ser um zengoísta. Quero elevar o espírito não seguindo o grande Buda, não; mas subindo ao plano mais elevado, onde tudo pode acontecer enquanto o eu permanece inabalável... Mas aí eu desisto, o limbo me chama de volta e eu continuo sendo chato. Não tem jeito.
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Eu tô ficando velho. Não é pelo rosto abatido pelo sono, nem pelas olheiras que percebo. Mas sei que tô ficando velho. Não é pela mudança de certos gostos, nem pelos tons de conversa. É por já não achar mais tão ruim sentar aos domingos com o jornal no colo. É por já não sentir mais vergonha de assistir desenho de criança, mermo tendo mais que 12 anos. Não é por preferir o boteco àquelas festas que eu achava o máximo. É por assistir o Pan, vendo as notas altas das ginastas, sem esquecer das notas frias do Calheiros. Não é pela barba rala nem pelas duas décadas. É porque, como diria meu amigo García, um homem sabe que tá ficando velho quando se vê parecido com seu pai. É por achar que já é hora de fazer alguma coisa e essa coisa não é só escrever em um blog.
Rodolpho de Siqueira
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