terça-feira, 8 de julho de 2014



34: O vencedor

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Era mermo um fracasso. Perdia tanto, que dava dó. Um dia, viu em algum canto que comer uns 10 chocolates lhe daria algo como um orgasmo. Animado, foi testar: comeu alguns e gozou no nono. E foi assim que, ainda virgem, teve sua primeira ejaculação precoce.

Sem sorte no jogo, perdia tanto nos de azar quanto nos de amor. Mas aprendeu que suas derrotas lhe serviriam de algo. Principalmente pra que ele pensasse nelas quando viesse a transar, e assim evitasse a segunda desgraça.

Sendo esperto, quando veio o esperado dia, pôs o eficiente plano em prática. Dessa vez, não gozou antes da hora. Mas tampouco gozou depois. E, aliás, broxou. Tinha tudo tão pouco elevado como sua estima.
A gota que não saiu foi a d'água.

Por ser homem bom, não o conseguia. Não se matava por educação. Achava egoísmo seus amigos sofrerem por uma decisão sua. Mas pensou bem e viu que egoístas seriam eles, caso não o entendessem. Pensou melhor e viu que, na verdade, eles não eram eles. Não eram nem ele, nem ela. Viu que, acabada sua angústia, na conta dos sofrimentos, um seria terminado, e nenhum seria gerado. Um a zero: a primeira vez que ganhou na vida. E assim que resolvera ir perder na morte.


* * * *

Faz tempo que num escrevo. Faz tempo mermo. Talvez seja porque eu escrevo mais quando algo me perturba, e fazia muito algo não me perturbava. Ainda assim, quando escrevo, como agora, prefiro as observações do que vem de fora àquelas que vem cá de dentro. Acho pouco interessante aos outros, e se fosse só pra mim eu escreveria aqui na minha parede. Mas aqui vai algo nada importante, de quem num sabe muito bem (o que) escrever e o faz pra passar o tempo.


Era tarde da noite. Botei a roupa limpa e saí de casa. Nessa minha vida de rico marajá, fui, de ônibus, levar minha namorada - e não foi nem à casa dela!, foi à parada do próximo ônibus. Então fomos e, dentro dele, fiquei pensando em muitas coisas pouco importantes - porque, sim!, levando de ônibus tu pode fazer outra coisa que não dirigir. Mas, também sim!, isso é só uma desculpa pra eu gostar de não ter carro - e uma delas era, por que não?, usar a merma roupa, limpinha, pra ir à faculdade no outro dia.

A dúvida me perturbava... Saí do meu ônibus, ela entrou no dela, e eis que alguém aparece pra me tirar daquele sofrimento. Do nada, alguém me esclareceu: um senhor, em seu carro bem rápido, visitou a poça e lavou todo o mundo que 'tava na calçada. Logo depois, saiu cantando com pneus uma melodia bonita que dizia mais ou menos assim:
Nãão, porco! Tu num vai usar a meeerma camiisa!

Daí, sujo, molhado e feliz, voltei pra casa com menos uma dúvida a me perturbar.
Obrigado, senhor.

Obs. - Se algum dia eu ganhar muito dinheiro, vou viajar o mundo todo, aprender o que eu puder e comprar 365 pares de cuecas, igualzin' a um amigo meu.

E, ah, nos anos bissextos me darei um dia de nudismo.
 
Rodolpho de Siqueira

Nenhum comentário: