43: Que é que tu sugeres?
Domingo, Novembro 04, 2007
Por esses dias, indo pra faculdade, vi o que tinham anunciado no jornal: a reitoria da UFPE, assim como várias outras por aí, tinha sido ocupada pelos estudantes. Vi que mais uma vez os universitários se mobilizaram e fizeram algo pelo que acreditam. Mas vi, também, que eles repetem um problema que muitas vezes eu vejo por aí, nessas manifestações de que inclusive eu já participei: falta de sugestões viáveis e justificadas.
Não foram poucas as vezes que li, pelos cantos da UFPE, os panfletos deste e daquele grupo, prestando atenção a cada uma das reivindicações. Acontece que, na maioria, ‘tava sempre uma lista de coisas a serem pedidas e nenhum tipo de justificativa ou argumento que mostrasse a viabilidade do negócio. E pra mim, desse jeito, todo o movimento consegue perder sua credibilidade e poder de persuasão. O povo só parece não se dar conta disso. E continua.
Nessa última ocupação, a luta é contra o Reuni: uns dizem que são contra a forma com que ele foi aceito; outros, que são realmente contra o decreto, mas – adivinha! - não dizem o que gostariam que fosse feito. Daí o caso se repete, não volto a participar nem me convenço de novo.
Não se trata de desmerecer o questionamento do decreto – que, concordo, apresenta vários defeitos. Não. O negócio é parar pra pensar até quando vamos ou podemos agir assim. Vem um projeto, ele apresenta defeitos, daí nós os apontamos e esperamos que o próximo venha - pra que, então, repitamos a reclamação? Assim vai levar trinta e sete mandatos e cento e setenta e três decretos pra que nos demos por satisfeitos. Saber o que não presta é um passo, mas de nada adianta se não se sabe o que deveria prestar. Afinal, não aprovar o decreto só deixa as coisas inalteradas, sem o novo ânimo de que o ensino ainda vai continuar precisando. E se a intenção do governo, que quer parecer boa, pode ser ruim, a falta de uma intenção clara ainda me parece pior.
Se aumentar a relação de alunos por professor é puramente um número e não garante a qualidade do ensino nem a manutenção da pesquisa – o que é verdade-, cadê as sugestões para que isso seja feito de outro jeito?
Já que as melhorias sugeridas pelo decreto podem causar modificação só quantitativa nas conclusões e, com isso, piorar o ensino, o que fazemos, então, pra que essas conclusões realmente melhorem?
Eu particularmente acho engraçado um governo querer estimular a conclusão do curso superior com uns remendos bem questionáveis e esquecer da reformulação de toda uma estrutura acadêmica. Talvez o povo que anda por lá não saiba que um professor incompetente – que é odiado, mas ‘tá sempre certo e é protegido pelos corporativismo e burocracia da instituição pública – desestimula muito mais a paixão de um aluno pelo conhecimento que qualquer outro número à sua escolha. E que assim não há curso – e conclusão – que agüente.
Acho também muito estranho nada disso ser baseado em mérito relativo – veja bem: relativo a outras instituições, e não a um número-, já que esse pra mim é o principal sinal de qualidade e estímulo ao avanço. Talvez fosse melhor que as faculdades, além do que já é destinado a elas, recebessem proporcionalmente a suas produções acadêmicas, seus artigos científicos etc. - em vez de dar bolsas previamente garantidas a gente que muitas vezes não produz nada ou dinheiro em troca de estatísticas bonitas que dizem menos ainda. Quem produzisse mais, ganharia mais - e assim quem produzisse menos se estimularia. É basicamente a merma idéia, mas com metas mais mensuráveis e reais. Fruto de um reino distante, laaaá da meritocracia.
Agora... o que eu acho, isso ou aquilo, deve importar pouco. Estudante que discorda de ambos os lados, eu sô só um blogueiro safado. Minhas sugestões não devem ser das melhores, eu sei. Mas sei também que, sem sugestão, as reclamações virão e vão voltar mais e outra vez. Vão voltar porque, ainda que os motivos tenham lá sua razão, de pouco adianta reclamar muito e não ter a tal da solução.
Por esses dias, indo pra faculdade, vi o que tinham anunciado no jornal: a reitoria da UFPE, assim como várias outras por aí, tinha sido ocupada pelos estudantes. Vi que mais uma vez os universitários se mobilizaram e fizeram algo pelo que acreditam. Mas vi, também, que eles repetem um problema que muitas vezes eu vejo por aí, nessas manifestações de que inclusive eu já participei: falta de sugestões viáveis e justificadas.
Não foram poucas as vezes que li, pelos cantos da UFPE, os panfletos deste e daquele grupo, prestando atenção a cada uma das reivindicações. Acontece que, na maioria, ‘tava sempre uma lista de coisas a serem pedidas e nenhum tipo de justificativa ou argumento que mostrasse a viabilidade do negócio. E pra mim, desse jeito, todo o movimento consegue perder sua credibilidade e poder de persuasão. O povo só parece não se dar conta disso. E continua.
Nessa última ocupação, a luta é contra o Reuni: uns dizem que são contra a forma com que ele foi aceito; outros, que são realmente contra o decreto, mas – adivinha! - não dizem o que gostariam que fosse feito. Daí o caso se repete, não volto a participar nem me convenço de novo.
Não se trata de desmerecer o questionamento do decreto – que, concordo, apresenta vários defeitos. Não. O negócio é parar pra pensar até quando vamos ou podemos agir assim. Vem um projeto, ele apresenta defeitos, daí nós os apontamos e esperamos que o próximo venha - pra que, então, repitamos a reclamação? Assim vai levar trinta e sete mandatos e cento e setenta e três decretos pra que nos demos por satisfeitos. Saber o que não presta é um passo, mas de nada adianta se não se sabe o que deveria prestar. Afinal, não aprovar o decreto só deixa as coisas inalteradas, sem o novo ânimo de que o ensino ainda vai continuar precisando. E se a intenção do governo, que quer parecer boa, pode ser ruim, a falta de uma intenção clara ainda me parece pior.
Se aumentar a relação de alunos por professor é puramente um número e não garante a qualidade do ensino nem a manutenção da pesquisa – o que é verdade-, cadê as sugestões para que isso seja feito de outro jeito?
Já que as melhorias sugeridas pelo decreto podem causar modificação só quantitativa nas conclusões e, com isso, piorar o ensino, o que fazemos, então, pra que essas conclusões realmente melhorem?
Eu particularmente acho engraçado um governo querer estimular a conclusão do curso superior com uns remendos bem questionáveis e esquecer da reformulação de toda uma estrutura acadêmica. Talvez o povo que anda por lá não saiba que um professor incompetente – que é odiado, mas ‘tá sempre certo e é protegido pelos corporativismo e burocracia da instituição pública – desestimula muito mais a paixão de um aluno pelo conhecimento que qualquer outro número à sua escolha. E que assim não há curso – e conclusão – que agüente.
Acho também muito estranho nada disso ser baseado em mérito relativo – veja bem: relativo a outras instituições, e não a um número-, já que esse pra mim é o principal sinal de qualidade e estímulo ao avanço. Talvez fosse melhor que as faculdades, além do que já é destinado a elas, recebessem proporcionalmente a suas produções acadêmicas, seus artigos científicos etc. - em vez de dar bolsas previamente garantidas a gente que muitas vezes não produz nada ou dinheiro em troca de estatísticas bonitas que dizem menos ainda. Quem produzisse mais, ganharia mais - e assim quem produzisse menos se estimularia. É basicamente a merma idéia, mas com metas mais mensuráveis e reais. Fruto de um reino distante, laaaá da meritocracia.
Agora... o que eu acho, isso ou aquilo, deve importar pouco. Estudante que discorda de ambos os lados, eu sô só um blogueiro safado. Minhas sugestões não devem ser das melhores, eu sei. Mas sei também que, sem sugestão, as reclamações virão e vão voltar mais e outra vez. Vão voltar porque, ainda que os motivos tenham lá sua razão, de pouco adianta reclamar muito e não ter a tal da solução.
Rodolpho de Siqueira
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