terça-feira, 8 de julho de 2014



53: Gosto 

Terça-feira, Novembro 04, 2008 

Uma vez eu achei que num tinha gostado d'um filme porque ele era, assim, meio panfletário. Dia desses eu descobri que não tinha gostado porque eu não concordava era com a idéia do panfleto. Talvez. Se fosse das minhas, eu ia achar é massa. Muito fácil. Difícil é conseguir ver o que é bonito, o que é inteligente, coisa e tal, quando o gosto avaliado é diferente do da gente. Difícil mermo, ou pelo menos eu acho. Tem um amigo que tem muita vontade política, em que eu acredito, mas com idéias completamente diferentes das minhas. Será que eu votaria nele? Num sei. Eu fico tentanto reconhecer no jeito diferente um mesmo objetivo, só que por um outro caminho. Ainda não consegui. Quem sabe o bom ou ruim não tá só no objetivo? Mas não consigo. Quando eu conseguir, vô pro céu. É meu sonho. Feito é meu sonho também chegar e elogiar o gosto d'um maluco que goste do sertanejo de que eu não goste – porque de alguns eu gosto! os violeiros são legais – e depois conseguir sair por aí, assoviando e orgulhoso, de consciência limpa. Já pensou? 'Cara, eu odeio esse negócio. Mas vai nessa, que teu gosto é do carai!' Vai doer... mas eu consigo. Pelo menos eu quero. Né possível que só tenha bom gosto quem concorda comigo. Né possível. Parece que, quando dizemos 'tu tem bom gosto', poderíamos também dizer 'parabéns por concordar comigo e, por isso, ser tão incrível!'. Não parece? Né possível.


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Eu sempre assinei com meu apelido aqui. Daí vô continuar a tradição e, agora, vô assinar como Rodolpho. É que eu descobri dia desses que Gringo virou meu nome. E que Rodolpho é o apelido que minha mãe me deu quando eu nasci. Que cara de Rodolpho eu tinha, afinal.

Rodolpho de Siqueira

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