41: Frágil, né...
Sexta-feira, Outubro 26, 2007
Quando vi “Bonequinha de Luxo”, baseado na obra lá de Capote, eu fiquei pensando no poder que uma mulher tem. Não que eu nunca tivesse pensando nisso antes. Não. Sempre tive certeza disso. O negócio é que veio à cabeça o quanto isso é verdade mais até do que a gente imagina.
É impressionante como cada uma, todas, uma a uma, toodas as coisas que a gente faz parecem ser pra conquistar as mulheres. É tanta declaração que não dá pra contar. É tanta rima de paixão com coração que elas já num devem mais agüentar. Já perdi as contas de quantos homens ouvi cantar para Anas Júlias, Camilas, Bárbaras, Carolinas e Etecéteras. E a última mulher que eu vi dizer, numa música, que gostava d’um homem disse “olha a minha cara de quem gosta de você”, mas por algum motivo eu desconfio que num era muito sério.
Vai saber...
Tu pode até argumentar que há muito mais homens que fazem música do que mulheres. Concordo. Só que aí deveria também haver muito mais homens dizendo, nessas mermas músicas, que não precisam dessas inúteis, né não? Mas o que se vê é lésbica se declarando, beijando uma a outra e ainda sendo o sucesso do verão. Sem contar aquelas que aprenderam a se virar sozinha, pra depois nos abandonar. Sem contar o ídolo do roque nacional dizer que é fera e que gosta é de meninos. Sei lá. Disconcordo.
Isso tudo é muito sério. Minha conclusão é de que o rumo do mundo foi mudado pelo poder delas. Descobri, por exemplo, que a razão do povo dizer, quando alguém abaixava, que era naquela posição que Napoleão tinha perdido a guerra era justamente porque ele era homem. Fosse ele uma mulher de bunda linda, em vez de um baixinho meio barrigudo, o ditado seria outro. Tenho certeza. Assim como tenho certeza, também, que Hitler perdeu a guerra mais ou menos pelo mermo motivo. Concluí fácil que ele não conseguiu ser dono do mundo como ele gostaria porque ele tampouco era mulher - como na verdade também gostaria. Se ele fosse, a guerra seria outra. Não precisava nem de exército: com um charme valioso de austríaca excêntrica, ele passava a lábia em Stálin, deixava os demais de quatro, na posição de Napoleão, e queria ver quem perdia a guerra... Sem chance.
Isso tudo é ainda mais sério. Muito sério. Dizem por aí até que os homens, tentando parecer os poderosos, esconderam várias provas do poder mulherístico por aí. A lenda conta até que Maria Madalena era muito mais considerada por Jesus que seus apóstolos. E desde então tem um bocado de homem tentando sair por cima, escondendo os segredos, o Graal e tudo o mais. É... é... Vai saber. Vai ver ela era como a Nossa Senhora lá do Auto da Compadecida, que resolvia tudo. Ficava aquela confusão, o diabo querendo uma coisa, deus querendo outra e os julgados outras que não essas. Daí vem ela, simpática que só ela, diz como tudo vai ser e de repente tudo fica em seu lugar. Dá pra tu? Nem pro diabo, rapá. Nem pra deus!
Tenho certeza até que lá na casa deles quem manda é ela, a Nossa Senhora, no estilo Godmother. Nós, os homens, dizemos que deus é que sabe das coisas só pra nos sentirmos melhor. Porque, no fim das contas, é ela que sabe dos segredos.
Aposto que ela, muito esperta, só fica na dela, fazendo um milagre de vez em quando, enquanto o filho recebe reclamação de todo o mundo.
E pra não perder o comando, nem dizerem que ela é ruim, deixou até que ele pintasse o teto da casa de azul, que era a cor que ele queria. Mas é claro que foi ele que fez o trabalho todo. E dentro do prazo que ela deu, que foram os tais dos sete dias.
Sem dúvida.
Quando vi “Bonequinha de Luxo”, baseado na obra lá de Capote, eu fiquei pensando no poder que uma mulher tem. Não que eu nunca tivesse pensando nisso antes. Não. Sempre tive certeza disso. O negócio é que veio à cabeça o quanto isso é verdade mais até do que a gente imagina.
É impressionante como cada uma, todas, uma a uma, toodas as coisas que a gente faz parecem ser pra conquistar as mulheres. É tanta declaração que não dá pra contar. É tanta rima de paixão com coração que elas já num devem mais agüentar. Já perdi as contas de quantos homens ouvi cantar para Anas Júlias, Camilas, Bárbaras, Carolinas e Etecéteras. E a última mulher que eu vi dizer, numa música, que gostava d’um homem disse “olha a minha cara de quem gosta de você”, mas por algum motivo eu desconfio que num era muito sério.
Vai saber...
Tu pode até argumentar que há muito mais homens que fazem música do que mulheres. Concordo. Só que aí deveria também haver muito mais homens dizendo, nessas mermas músicas, que não precisam dessas inúteis, né não? Mas o que se vê é lésbica se declarando, beijando uma a outra e ainda sendo o sucesso do verão. Sem contar aquelas que aprenderam a se virar sozinha, pra depois nos abandonar. Sem contar o ídolo do roque nacional dizer que é fera e que gosta é de meninos. Sei lá. Disconcordo.
Isso tudo é muito sério. Minha conclusão é de que o rumo do mundo foi mudado pelo poder delas. Descobri, por exemplo, que a razão do povo dizer, quando alguém abaixava, que era naquela posição que Napoleão tinha perdido a guerra era justamente porque ele era homem. Fosse ele uma mulher de bunda linda, em vez de um baixinho meio barrigudo, o ditado seria outro. Tenho certeza. Assim como tenho certeza, também, que Hitler perdeu a guerra mais ou menos pelo mermo motivo. Concluí fácil que ele não conseguiu ser dono do mundo como ele gostaria porque ele tampouco era mulher - como na verdade também gostaria. Se ele fosse, a guerra seria outra. Não precisava nem de exército: com um charme valioso de austríaca excêntrica, ele passava a lábia em Stálin, deixava os demais de quatro, na posição de Napoleão, e queria ver quem perdia a guerra... Sem chance.
Isso tudo é ainda mais sério. Muito sério. Dizem por aí até que os homens, tentando parecer os poderosos, esconderam várias provas do poder mulherístico por aí. A lenda conta até que Maria Madalena era muito mais considerada por Jesus que seus apóstolos. E desde então tem um bocado de homem tentando sair por cima, escondendo os segredos, o Graal e tudo o mais. É... é... Vai saber. Vai ver ela era como a Nossa Senhora lá do Auto da Compadecida, que resolvia tudo. Ficava aquela confusão, o diabo querendo uma coisa, deus querendo outra e os julgados outras que não essas. Daí vem ela, simpática que só ela, diz como tudo vai ser e de repente tudo fica em seu lugar. Dá pra tu? Nem pro diabo, rapá. Nem pra deus!
Tenho certeza até que lá na casa deles quem manda é ela, a Nossa Senhora, no estilo Godmother. Nós, os homens, dizemos que deus é que sabe das coisas só pra nos sentirmos melhor. Porque, no fim das contas, é ela que sabe dos segredos.
Aposto que ela, muito esperta, só fica na dela, fazendo um milagre de vez em quando, enquanto o filho recebe reclamação de todo o mundo.
E pra não perder o comando, nem dizerem que ela é ruim, deixou até que ele pintasse o teto da casa de azul, que era a cor que ele queria. Mas é claro que foi ele que fez o trabalho todo. E dentro do prazo que ela deu, que foram os tais dos sete dias.
Sem dúvida.
Rodolpho de Siqueira
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