terça-feira, 8 de julho de 2014



66: Método

Domingo, Março 04, 2012 

Eu desde cedo sempre fui muito questionador. Sempre fiz mil perguntas a mim mermo – e algumas, em muito menor quantidade, aos outros – e sempre tentei respondê-las. Acabei mais tarde achando na Ciência e na Engenharia o lugar em que eu mais me adequava. Hoje, estou prestes a trabalhar com controle, automação e otimização de processos, o que vai me levar a usar ainda mais meu lado analítico – dessa vez, não só por curiosidade, mas por profissão.

Há quase exatamente um ano, consegui o que era preciso pra entrar nesse meu trabalho, e foi também usando o lado analítico. Racionalização do tempo, estudo de leis fundamentais, e consegui. Tudo do pouco que consegui profissionalmente, foi assim também. É isso que eu faço. E acredito que a análise racional é a melhor ferramenta que a gente tem pra tentar solucionar alguns dos problemas que a gente encontra. Não tenho dúvida.

Acontece que o pensamento analítico já me deu muitos bons resultados sim, mas, por outro lado, nunca me deu um sorriso calculado. Nunca encontrei alguém interessante num dia premeditado. E, se tivesse planejado, não seria no carnaval - no entanto já o foi, e do jeito mais inesperado. As vezes que dormi mal por estar com o inconsciente cheio de problemas de algoritmos nunca se compararam àquelas em que pouco dormi por problemas de quem está apaixonado. Eu vejo beleza na física, mas não mais do que nos quadros. Eu acho a lógica bonita, mas com ela nunca lacrimejei como num filme inspirado. Nunca me arrepiei fazendo conta, e já me arrepiei tantas vezes ouvindo ou tocando música, que perdi as contas.

O método me serviu de muitas formas, mas inclusive me serviu pra ver que ele às vezes não serve pra nada. É só fazer as contas do último parágrafo. Então ainda bem que meu cérebro tem dois lados, e ainda bem que consigo perceber e senti-los mermo sem ter de contá-los.

Rodolpho de Siqueira

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