25 :Boomerang
Sexta-feira, Janeiro 06, 2006
A rotina cansa. Por isso, por opção ou necessidade, existem as viagens. E, então, lá foi ele recorrer a elas. Daqui pra lá, de lá pra cá, deu um quarto de volta no país. Das janelas que carregava na cara, viu muita coisa, coisa rara. Viu gente de todo canto. Gente com todas e varias intenções. Viu, inclusive, nas cidades não tão grandes, os nativos do lugar, tirando dinheiro e risadas dos que, como ele, lá passavam por uns dias. Eles, os minhocas da terra, tinham vida simples: uns vendiam coco; outros, peixe; e alguns outros viviam de surf - e só disso. Enquanto isso, ele, observando, lembrava do que o esperava quando voltasse. Lembrava que achava a vida dos nativos tão restrita, e que, pra sua, queria algo mais amplo. Lembrou, daí, dos testes que o esperavam para, justamente, que ele pudesse atingir a amplitude que almejava em sua existência já bastante restrita pelo tempo. Pensou que, em breve, viria, se tudo desse certo, a faculdade. Ah! A faculdade! O diploma, o reconhecimento, a satisfação! Daí, viria, junto com ela, o dinheiro. Por que não o dinheiro? É claro que viria. Viria para que ele conseguisse posses e tranqüilidade. Viria para que ele, depois de rico, pudesse comprar uma casa na praia e levar uma vida simples - talvez só de surf e alimentada por peixes, como a dos nativos. Lembrou que, além de menos esperto que o marsupial, era, agora, menos esperto também que eles. Lembrou, então, daquele conto que uma vez ouvira. Lembrou que a vida era, mermo, uma comédia. Uma trágica comédia, talvez - pensou ele. E riu. Mas lembrou que viagens também cansam. Por isso, por opção ou necessidade, existe a rotina. E lá foi ele, de volta pra casa.
A rotina cansa. Por isso, por opção ou necessidade, existem as viagens. E, então, lá foi ele recorrer a elas. Daqui pra lá, de lá pra cá, deu um quarto de volta no país. Das janelas que carregava na cara, viu muita coisa, coisa rara. Viu gente de todo canto. Gente com todas e varias intenções. Viu, inclusive, nas cidades não tão grandes, os nativos do lugar, tirando dinheiro e risadas dos que, como ele, lá passavam por uns dias. Eles, os minhocas da terra, tinham vida simples: uns vendiam coco; outros, peixe; e alguns outros viviam de surf - e só disso. Enquanto isso, ele, observando, lembrava do que o esperava quando voltasse. Lembrava que achava a vida dos nativos tão restrita, e que, pra sua, queria algo mais amplo. Lembrou, daí, dos testes que o esperavam para, justamente, que ele pudesse atingir a amplitude que almejava em sua existência já bastante restrita pelo tempo. Pensou que, em breve, viria, se tudo desse certo, a faculdade. Ah! A faculdade! O diploma, o reconhecimento, a satisfação! Daí, viria, junto com ela, o dinheiro. Por que não o dinheiro? É claro que viria. Viria para que ele conseguisse posses e tranqüilidade. Viria para que ele, depois de rico, pudesse comprar uma casa na praia e levar uma vida simples - talvez só de surf e alimentada por peixes, como a dos nativos. Lembrou que, além de menos esperto que o marsupial, era, agora, menos esperto também que eles. Lembrou, então, daquele conto que uma vez ouvira. Lembrou que a vida era, mermo, uma comédia. Uma trágica comédia, talvez - pensou ele. E riu. Mas lembrou que viagens também cansam. Por isso, por opção ou necessidade, existe a rotina. E lá foi ele, de volta pra casa.
Rodolpho de Siqueira
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