Quarta-feira, Outubro 31, 2007
Por esses dias, indo pra faculdade, vi o que tinham anunciado no jornal: a reitoria da UFPE, assim como várias outras por aí, tinha sido ocupada pelos estudantes. Vi que mais uma vez os universitários se mobilizaram e fizeram algo pelo que acreditam. Mas vi, também, que eles repetem um problema que muitas vezes eu vejo por aí, nessas manifestações: falta de sugestões viáveis e justificadas.
Não foram poucas as vezes que li, pelos cantos da UFPE, os panfletos deste e daquele grupo, prestando atenção a cada uma das reivindicações. Acontece que, na maioria, ‘tava sempre uma lista de coisas a serem pedidas e nenhum tipo de justificativa ou argumento que mostrasse a viabilidade do negócio. E pra mim, desse jeito, todo o movimento consegue perder sua credibilidade e poder de persuasão. O povo só parece não se dar conta disso. E continua.
Nessa última ocupação, a luta é contra o Reuni: uns dizem que são contra a forma com que ele foi aceito; outros, que são realmente contra o decreto – mas, adivinha!, não dizem o que gostariam que fosse feito. Daí o caso se repete, e eu não me convenço de novo.
Não se trata de desmerecer o questionamento do decreto – que, concordo, apresenta vários defeitos. Não. Mas também não vô falar mais ainda de como ele é falho; não é esse o ponto. O negócio é parar pra pensar até quando vamos ou podemos agir assim. Vem um projeto, ele apresenta defeitos, daí nós os apontamos e esperamos que o próximo venha - pra que, então, repitamos a reclamação? Assim vai levar trinta e sete mandatos e cento e setenta e três decretos pra que nos demos por satisfeitos. Saber o que não presta é um passo, mas de nada adianta se não se sabe o que deveria prestar.
Se aumentar a relação de professores por aluno é puramente um número e não garante a qualidade do ensino nem a manutenção da pesquisa – o que é verdade-, cadê as sugestões para que isso seja feito de outro jeito?
Já que as melhorias sugeridas pelo decreto podem causar modificação só quantitativa nas conclusões e, com isso, piorar o ensino, o que fazemos, então, pra que essas conclusões realmente melhorem?
Eu particularmente acho engraçado um governo querer estimular a conclusão do curso superior com uns remendos bem questionáveis e esquecer da reformulação de toda uma estrutura acadêmica. Talvez o povo que anda por lá não saiba que um professor incompetente – que é odiado, mas ‘tá sempre certo e é protegido pelos corporativismo e burocracia da instituição pública – desestimula muito mais a paixão de um aluno pelo conhecimento que a quantidade de professores supostamente disponível para ele.
Acho também muito estranho nada disso ser baseado em mérito relativo, que é o principal sinal de qualidade. Talvez fosse melhor que as faculdades recebessem proporcionalmente a suas produções acadêmicas, artigos científicos etc - em vez de dar previamente bolsas garantidas a gente que muitas vezes não produz nada -, já que esse tipo de meta, sim, tem sua qualidade mensurável e é verdadeiro estímulo ao avanço.
Agora... acho ainda mais esquisito que o foco dessas manifestações seja pedir e não solucionar – ou pelo menos tentar, dando sugestões bestas como um blogueiro safado. Afinal todo movimento é válido, sendo estudantil ou não. Muito válido, na verdade, sendo os motivos justos e com razão. O que não é válido, com certeza, é ter muitos motivos, mas nenhuma solução.
Aí num dá.
Rodolpho de Siqueira
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