64: Saindo de casa(l)
Sexta-feira, Agosto 19, 2011
Ficam todos em um site, com fotos bonitas, querendo parecer
perfeitos. Daí tu olha daqui, olha de lá, acha alguma coisa
interessante, e quem sabe pensa em alguma coisa e tal, quem sabe ligar
ou uma mensagem mandar. Dependendo, tem resposta. Quem sabe até rola de
ir ver, encontrar. Porque de longe não rola, porque de perto o outro é
muitas vezes pior do que parecia lá. Então vamo' de perto, mas não rola
de concluir nada antes d'aquele joguinho rolar. Os dois fingem que
nenhum tá querendo tanto, e cada um tenta se economizar e seu passe
valorizar. E se tu acha que eu tava falando de facebook e pessoas, é
porque tu nunca procurou um apartamento no Rio pra alugar.
Se tu é homem e acha que mulher é difícil, é porque tu ainda não tentou pegar um apartamento. Eles 'tão tão exigentes, com uma fila tão grande de gentes, que um apartamento de Botafogo tá se achando mais que a carioca mais gostosa da praia de Ipanema. Mas o pior é que, além disso, apartamento só quer saber de dinheiro: quais são teus imóveis, onde é que tu trabalha, quem é teu fiador? E, mermo que tu trabalhe bem, preferem que tu seja velho também. Tão querendo dar o golpe do baú, só pode. Contrato de trinta meses, só tendo nos encontrado uma vez? Quer casar sem nem tomar um chopp? Eu sei que tu não tá podendo sair, então não rola um cineminha, em casa… não? Num deu. Quero saber como é assistir filme contigo, pô, pra ver se vô me sentir confortável e tal… Tô pedindo demais? Beleza não é tudo não, cacete! Cadê teu interior? Como eu vô saber se tu era só fachada ou se tinha algo quase explodindo dentro de ti, que ainda vai me dar dor de cabeça no final? Tá foda; assim num dá. Como diria o filósofo: "Quer me fuder, me beija". Ou pelo menos me dá um desconto, ou me deixa dormir uns dias no sofá.
Eu já falei aqui uma vez da velha cardidança da cadeira em que nunca há lugar pra nossa bunda, né? Ela não chega a ser um problema. Eu também gosto de dançar, e tá tudo tranquilo. Muito mais difícil tá brincar de gente com esses apartamentos mercenários. Difícil tá encontrar uma casa. Se eu encontrar uma logo, passo a acreditar em qualquer coisa. Talvez até que a mulher da minha vida, que eu nem sei quem é, andou procurando pessoas, olhou meu facebook e anda pensando em me comprar com seus milhares em notas de charme - mas não sem antes fazer um joguinho. Passo a acreditar sim, ué. Tá achando ridículo? Eu disse que acreditava em qualquer coisa, se achar o apartamento. Porque aí, mermo sendo mentira, teria um sofá de verdade, macio e que fosse meu, pra eu sentar minha bunda não metafórica. Se eu gostar dele, 30 meses são pouco, e aí eu deito enquanto danço, escrevendo essas coisas bizarras, esperando a outra descadeirada.
Rodolpho de Siqueira
Se tu é homem e acha que mulher é difícil, é porque tu ainda não tentou pegar um apartamento. Eles 'tão tão exigentes, com uma fila tão grande de gentes, que um apartamento de Botafogo tá se achando mais que a carioca mais gostosa da praia de Ipanema. Mas o pior é que, além disso, apartamento só quer saber de dinheiro: quais são teus imóveis, onde é que tu trabalha, quem é teu fiador? E, mermo que tu trabalhe bem, preferem que tu seja velho também. Tão querendo dar o golpe do baú, só pode. Contrato de trinta meses, só tendo nos encontrado uma vez? Quer casar sem nem tomar um chopp? Eu sei que tu não tá podendo sair, então não rola um cineminha, em casa… não? Num deu. Quero saber como é assistir filme contigo, pô, pra ver se vô me sentir confortável e tal… Tô pedindo demais? Beleza não é tudo não, cacete! Cadê teu interior? Como eu vô saber se tu era só fachada ou se tinha algo quase explodindo dentro de ti, que ainda vai me dar dor de cabeça no final? Tá foda; assim num dá. Como diria o filósofo: "Quer me fuder, me beija". Ou pelo menos me dá um desconto, ou me deixa dormir uns dias no sofá.
Eu já falei aqui uma vez da velha cardidança da cadeira em que nunca há lugar pra nossa bunda, né? Ela não chega a ser um problema. Eu também gosto de dançar, e tá tudo tranquilo. Muito mais difícil tá brincar de gente com esses apartamentos mercenários. Difícil tá encontrar uma casa. Se eu encontrar uma logo, passo a acreditar em qualquer coisa. Talvez até que a mulher da minha vida, que eu nem sei quem é, andou procurando pessoas, olhou meu facebook e anda pensando em me comprar com seus milhares em notas de charme - mas não sem antes fazer um joguinho. Passo a acreditar sim, ué. Tá achando ridículo? Eu disse que acreditava em qualquer coisa, se achar o apartamento. Porque aí, mermo sendo mentira, teria um sofá de verdade, macio e que fosse meu, pra eu sentar minha bunda não metafórica. Se eu gostar dele, 30 meses são pouco, e aí eu deito enquanto danço, escrevendo essas coisas bizarras, esperando a outra descadeirada.
Rodolpho de Siqueira
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