terça-feira, 8 de julho de 2014







36: Sem título

Segunda-feira, Maio 28, 2007 

 Escrever assim qualquer besteira, sobre idéias nossas, é meio fácil. Sempre achei difícil mermo foi escrever ficção, qualquer romance barato que seja. E talvez até o pior dos contos. Acho genial o poder de alguns gracilianos de criar personagens tão complexos. Me envolvo fácil nos dilemas, nos confrontos mais íntimos, e na humanidade das coisas machadianas. Sem contar o estilo torto e diferente de Guimarães Rosa de contar estórias. E é por tudo isso que, vez ou outra, bato palma pra personagem que vejo por aí. Fico pasmo em ver como conseguem criar alguém tão bom e, ao mermo tempo, tão cheio de defeitos ¿ mas, por isso, interessante.

Me dá nervoso só de ver alguém que é super-forte e super-rápido. Alguém que, como se não bastasse ser rápido, é rápido como a luz. Um personagem que, ainda assim, sopra fogo. Um personagem que, porra!, também sopra gelo! E, ¿pera aí, ele ainda é bonitão... Ah! já ia me esquecendo: vem de outro planeta e, ainda assim, tem fisiologia humana pra engravidar a mulherzinha! Puta-que-pariu.

Por isso, um personagem que, sendo ruim, ainda consegue ser bom é o que mais me interessa. É muito mais denso, mais instigante. Gosto mais de um aranha pretensioso de vez em quando e ególatra em outras tantas. Prefiro um Pirata inescrupuloso que ainda consegue cativar. Acho muito mais interessante um Erick ¿ egoísta, medroso, mas completamente humano e engraçado - que um Rank, todo pomposão, dando geniais sugestões de liderança: ¿Corram!¿, ¿Por aqui!¿.

Por essas e outras eu acho meio estranho quando alguém vive se fazendo de santo por aí. E mais esquisito eu acho oficializar a santidade de alguém, como fizeram com Frei Galvão. Mas há, enfim, quem acredite. Agora... o que talvez ninguém oficialize é que não precisa ser canonizado pra ter imagem de santo. Cada vez que entra um novo Papa, parece que esquecem tudo que o cara já fez e, então, ele passa também a ser santo. Todo mundo ama o sujeito, ele é lindo e maravilhoso. Ainda que atrapalhe o avanço científico, ou que tenha ¿ sabe-se lá se por opção ou não¿ integrado a juventude hitlerista. Porque, afinal, ele é o Papa.

Mas, Papa ou não, acho que ninguém é bom de todo. E se fosse seria um saco, na verdade. A gente tenta ser bom e tal, se esforça, mas o que prevalece sempre é aquele contraste entre quão bom nos achamos e quão ruim podemos ser vez ou outra, sem perceber. Eu mermo sei que não ¿sô santo algum. Mas desconfio que não seja o diabo. Talvez nenhum dos lados me quisesse... Talvez nem eu nem ninguém seja bom ou ruim o suficiente.

Acho que, no fim das contas, o céu ia acabar é vazio. E o inferno também. O lugar-sensação seria mermo é o limbo, mermo pros já batizados. Meio-termo da outra vida, pros nem tão ruins, mas nem tão bons, o limbo seria o grande point do além. Mas aí veio o Papa e acabou com a *festa. Vai ver ele tinha medo de ir pra lá também...




*Além de vir ao Brasil, o Papa também trabalha: dia desses ele acabou com a idéia do Limbo.
 

Rodolpho de Siqueira

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